Talvez eu ainda volte a escrever sobre o assunto, mas no momento não pretendo. Porque com este vídeo, além das demais postagens da série, eu penso que 95% de todas as dúvidas relacionadas a esse tópico estarão sanadas.
Em Colesterol I, eu expliquei como surgiu a ideia de que colestrol pudesse ser algo ruim: uma combinação de má ciência básica e de um estudo epidemiológico mal feito da década de 1950.
Em colestrol II, eu mostrei que até 1957 nem mesmo a Associação Americana de Cardiologia estava convencida de que se deveria mudar a dieta das pessoas por causa de colesterol. No entanto, apenas 4 anos após, a maré começava a mudar, por motivos políticos, e não científicos.
Em colesterol III, eu detalhei os grandes estudos prospectivos e randomizados que demonstraram que reduzir a gordura na dieta não tem NENHUM impacto na mortalidade em homens e mulheres. Além disso, que estudos epidemiológico mais bem feitos sugerem que quanto maior o consumo de gordura per capita, menor a incidência de doenças cardiovasculares.
Em colesterol IV, vimos como o colesterol é um marcador de risco sofrível, como a redução de colesterol não traz benefício para a maior parte das pessoas, como a indústria manipula as estatísticas para nos convencer de que intervenções que têm o potencial de ajudar apenas 1 em cada 250 pessoas seriam "essenciais", e como modificações de estilo de vida podem ter impacto superior ao das drogas, sem o custo e efeitos colaterais.
Em colesterol V, vimos como o reducionismo feriu de morte o pensamento científico, levando-nos à crença ingênua de que podemos efetivamente dominar a complexa teia de causas e efeitos que compõem sistemas infinitamente complexos como o organismo humano. E citamos o ilustrativo exemplo da droga torcetrapib, que aumentava o HDL (colesterol "bom") e diminuía o LDL (colesterol "ruim"). E, no entanto, os pacientes morreram MAIS com esta droga - estes exames de sangue são apenas isso: exames de sangue, e o que queremos é viver mais e MELHOR, e não apenas mudar os números impressos no papel, apenas para morrermos com resultados "normais".
Na postagem denominada Conflitos de Interesse, abordamos o grau extremo com que os vultuosos interesses financeiros contaminam de forma decisiva (e infundada) as diretrizes que estabelecem que o colesterol "normal" seja abaixo de 200 e o LDL abaixo de 130 (ou 100, ou mesmo 70 como se fala agora!).
O vídeo abaixo foi uma grande descoberta recente. Neste vídeo, o Dr. Diamond resume, em UMA HORA de palestra, TODO este assunto. Deu MUITO trabalho para legendar, mas vale cada minuto!
Eu pediria que as pessoas prestassem especial atenção à explicação dada aos 34 minutos e 10 segundos sobre as curvas de colesterol de pessoas doentes e pessoas normais (dica, são iguais até chegar em 300!); e prestem também atenção especial a partir de 37 minutos e 24 segundos até 42 minutos e 40 segundos (dica: dentre 1900 pessoas com colesterol perto de 300 que estavam no grupo PLACEBO do estudo, 98% estavam vivas em SEM doença cardíaca após 7,5 anos sem NENHUM tratamento).
O único reparo que eu farei à brilhante palestra do Dr. Diamond é que ele afirma que a gordura na dieta não eleva o colesterol. O certo seria dizer que, em geral, o LDL não muda e o HDL aumenta, levando a uma elevação do colesterol total, porém com uma melhora da relação colesterol total / HDL. Mas algumas pessoas (cerca de 20-25%) respondem excessivamente à gordura na dieta, com níveis mais elevados de LDL e colesterol total.
No gráfico acima (retirado da metanálise já discutida aqui), cada ponto representa a média do efeito de uma dieta low carb sobre LDL em cada estudo individual. O grande risco vertical central é o 1, ou seja, o que fica sobre este risco indica não ter mudado com low carb; para a esquerda é redução de LDL, e para a direita é aumento. Os riscos horizontais mostram o quanto os resultados variam dentro da população daquele estudo específico. Observem que, muito embora a média total de todos os estudo juntos (seta vermelha mais de baixo) mostre uma mínima redução do LDL (não significativa), a variação dos resultados foi imensa, (outras setas vermelhas), desde grandes quedas no LDL até grandes aumentos.
Mas, após ler as outras 6 postagens e após assistir ao vídeo, espero que já esteja claro para você a pouca importância deste achado.
Assim, de agora em diante, só responderei a perguntas sobre colesterol que ainda não estejam respondidas nesta série (sobram poucas). Se seu LDL está elevado, mas você perdeu peso, seu HDL está alto, seus triglicerídeos estão baixos, e isto ainda assim lhe preocupa, você é livre para tratar do problema, juntamente com o seu médico, adotando outro tipo de estilo de vida ou então com o uso de medicamentos. Cada um deve buscar a informação e, de posse da mesma, decidir com o seu médico o melhor caminho a seguir.


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